Política

Ministro que quer rever o SUS teve campanha financiada por operador de plano de saúde

Deputado federal licenciado, o atual ministro da Saúde Ricardo Barros (PP-PR), que defendeu a revisão do tamanho do Serviço Único de Saúde (SUS) em entrevista à Folha, divulgada nesta terça (17), teve parte de sua campanha eleitoral financiada por Elon Gomes de Almeida, um dos principais operadores de planos de saúde do país.

O empresário é presidente da Aliança, administradora de planos de saúde e registrada na ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), órgão regulador do setor que é vinculado ao ministério da Saúde e fez uma doação pessoal de R$ 100 mil à campanha de Barros em 2014.

Segundo a Folha apurou, Elon foi o maior doador individual de Barros – que arrecadou R$3,1 milhões – na disputa eleitoral de 2014, tendo feito ainda doações individuais aos candidatos Carlos Sampaio (PSDB-SP), um dos principais articuladores na Câmara para o impeachment de Dilma Rousseff, com R$ 100 mil, Eliana Calmon (PSB-BA), com R$ 100 mil, e Vital do Rêgo Filho (PMDB-PB). A campanha de Vital, então candidato ao governo da Paraíba e hoje ministro do TCU (Tribunal de Contas da União), recebeu R$ 600 mil como doação pessoal de Almeida.

Elon Almeida se tornou um dos alvos da Operação Acrônimo, desencadeada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal no ano passado, para investigar os negócios do empresário Benedito Rodrigues, o Bené, próximo do então ministro do governo Dilma e hoje governador de Minas Gerais Fernando Pimentel (PT-MG). Em dezembro passado, a PF cumpriu, com autorização do STJ (Superior Tribunal de Justiça), um mandado de busca e apreensão na casa de Almeida em Brasília depois que descobriu que uma outra firma dele, a Support, fez um pagamento de R$ 750 mil para o que a PF considera firmas de fachada operadas por Bené. À época, Almeida divulgou que se tratava de um negócio privado com Bené.

O ministro Ricardo Barros também recebeu, na campanha eleitoral de 2006, doação de outro plano de saúde, a Unimed de Maringá (PR), com R$ 20 mil.

O empresário Elon Almeida afirmou, em nota, que “conhece o engenheiro civil e atualmente ministro Ricardo Barros há alguns anos” e confirmou que fez “uma doação pessoal, devidamente registrada na forma da lei”. Sobre as investigações relativas ao empresário Benedito Oliveira, a nota informa que “as informações […] estão sendo prestadas às autoridades competentes”.

Almeida informou que não se considera “dono” de plano de saúde, mas sim que tem “participação minoritária em uma administradora de benefícios a Aliança que representa usuários de planos coletivos junto aos planos de saúde na contratação de cobertura e negociação de reajustes, entre outras funções”. “A Aliança é administradora de serviços regular que representa os usuários e que contrata um plano de saúde de acordo com os interesses deles”, diz a assessoria, em nota. Segundo apurou a Folha, a Qualicorp – que se apresenta em seu site na internet como “a maior administradora de planos de saúde coletivos do Brasil” – é sócia da Aliança.

Também em nota, a assessoria do ministro informou que “nas quatro vezes que [Barros] foi eleito deputado federal, teve suas contas de campanha aprovadas pelo TRE do Parana, atendendo as exigências previstas na legislação”. Segundo o ministério, a doação “do cidadão Elton Almeida” representou apenas 3,1% do total arrecadado pelo candidato naquela disputa. “Cabe esclarecer que em 2014 a legislação permitia as doações tanto de pessoas físicas quantos jurídicas, cabendo ao doador esse tipo de escolha.”

Ainda de acordo com a assessoria, o ministério “continuará atuando na melhoria da atuação dos planos de saúde no Brasil, por meio da Agencia Nacional de Saúde Suplementar”, e a “atuação da gestão independe de relação partidária, jurídica ou pessoal. Uma gestão mais eficiente, bem como o aprimoramento das medidas de fiscalização e controle, dass informações de saúde, está entre as prioridades apresentadas pela pasta”.

Com informações da Folha de São Paulo.

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