Justiça

Homologação da delação de Pedro Corrêa compromete Lula

A revista Veja teve acesso ao documento de 132 páginas contendo revelações comprometedoras do ex-deputado Pedro Corrêa ao Ministério Público Federal. De acordo com a matéria, Corrêa revela novos personagens e os métodos de corrupção na Petrobrás, além de relatar os pormenores sobre como era discutida a partilha de cargos no governo do Ex-presidente Lula.

Preso em Curitiba (PR) pela Operação Lava Jato, o ex-deputado e ex-presidente do PP, afirmou em depoimento que o ex-presidente Lula discutia pessoalmente o esquema de corrupção da Petrobras. Ele citou vários deputados, senadores, ministros, ex-ministros e ex-governadores envolvidos em esquemas de corrupção, além de ter confessado que recebeu dinheiro desviado de mais de 20 órgãos ligados ao governo federal.

Segundo a Veja, Corrêa relatou que parlamentares do PP se rebelaram com o avanço do PMDB nos contratos da diretoria de abastecimento na época em que a área era dirigida por Paulo Roberto Costa. Um grupo teria ido ao Palácio do Planalto para falar com Lula e reclamar da “invasão”. Segundo o ex-deputado, o então presidente passou uma descompostura nos deputados dizendo que eles “estavam com as burras cheias de dinheiro” e que a diretoria era “muito grande ” e tinha que “atender os outros aliados” pois o orçamento era muito grande. De acordo com a reportagem, os caciques do partido se conformaram quando Lula lhes garantiu que a maior parte das comissões seriam dirigidas ao PP.

Conforme o relato de Corrêa, Lula ordenou que os partidos se entendessem. O ex-deputado, representando os interesses da sigla, reuniu-se com a alta cúpula do PMDB para tratar da partilha. O senador Renan Calheiros (AL) é apontado como um dos primeiros a ser procurado para acertar “o melhor entendimento na arrecadação”.

O depoimento de Corrêa relata novamente a atuação de Lula quando foi presidente para nomear Paulo Roberto Costa, indicado do PP, para a diretoria de abastecimento. O diálogo, a que a Folha teve acesso, foi revelado em 2015 também pela revista “Veja”. “Mas Lula, eu entendo a posição do conselho. Não é da tradição da Petrobras, assim, sem mais nem menos trocar um diretor”, disse Dutra, na época presidente da estatal. Lula respondeu, segundo Corrêa: “Se fossemos pensar em tradição nem você era presidente da Petrobras e nem eu era presidente da República”, teria dito.

O delator citou outros políticos do PT que, segundo ele, tinham conhecimento de pagamento de propina ou envolvimento em atos ilícitos como Aldo Rebelo (Pcdo B – SP), o ex-ministro Aloizio Mercadante (PT-SP), o ministro do TCU Augusto Nardes, o ex-ministro Jaques Wagner (PT-BA), o deputado Paulo Maluf (PP-SP), a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB-MA) e o senador Valdir Raupp (PMDB-RO).

A Veja aforma que a delação de Corrêa relata que a presidente afastada Dilma Rousseff se reuniu com Costa em 2010 para pedir apoio financeiro para sua campanha. A delação aguarda homologação do ministro do STF Teori Zavascki.

CONTRADITÓRIO
O Instituto Lula afirmou, por nota, que Pedro Corrêa tenta, com a delação, evitar o cumprimento de sua pena. “Pedro Corrêa foi condenado pelo juiz Sergio Moro a mais de 20 anos de cadeia por ter praticado 72 crimes de corrupção e 328 operações de lavagem de dinheiro. Foi para não cumprir essa pena na cadeia que ele aceitou negociar com o Ministério Público Federal uma narrativa falsa envolvendo o ex-presidente Lula, inventando até mesmo diálogos que teriam ocorrido há 12 anos”, diz o texto.

Para o instituto, “é repugnante que que policiais e promotores transcrevam essa farsa em documento oficial, num formato claramente direcionado a enxovalhar a honra do ex-presidente Lula e de um dos mais respeitáveis políticos brasileiros, o falecido senador José Eduardo Dutra, que não pode se defender dessa calúnia”.

Nesta sexta (27), os advogados de Lula entraram com uma petição na Justiça para ter acesso aos anexos em que Pedro Corrêa cita o petista.

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