Política

Após inocentar Lula, delação de sócio da OAS é considerada pouco crível

Reprodução da internet / DR

O ex-presidente da OAS Léo Pinheiro afirmou em sua delação premiada, que as reformas no triplex do Guarujá e no sítio de Atibaia, ambos em São Paulo, não foram feitas como contrapartida a algum benefício que a empresa recebeu anteriormente, como acreditam os agente da Operação Lava Jato, e sim com o objetivo de agradar ao ex-presidente Lula. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

O empresário, condenado a 16 anos de prisão, começou a negociar um acordo de delação em março e, três meses depois, não há perspectivas de que o trato seja fechado. A versão é considerada pouco crível por procuradores. Na visão dos investigadores, Pinheiro busca preservar Lula com a sua narrativa.

De acordo com apuração do jornal, Pinheiro narrou que Lula não teve qualquer papel na reforma do apartamento e nas obras do sítio. A reforma do sítio, de acordo com o empresário, foi solicitada em 2010, no último ano do governo Lula, por Paulo Okamotto, que preside o Instituto Lula. Okamotto confirmou à PF que foi ele quem pediu as obras no sítio.

Pela versão de Pinheiro, a reforma no tríplex do Guarujá foi uma iniciativa da OAS para agradar ao ex-presidente. A empresa gastou cerca de R$ 1 milhão na reforma do apartamento, mas a família de Lula não se interessou pelo imóvel, afirmou ele a seus advogados que negociam a delação, em versão igual à apresentada por Lula.

Condenado em agosto do ano passado por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, o empresáriotenta fechar um acordo pois pode voltar para a prisão neste mês, quando o TRF (Tribunal Regional Federal) de Porto Alegre deve julgar o recurso de seus advogados. O risco deve-se à mudança na interpretação da lei feita pelo Supremo Tribunal Federal em fevereiro deste ano, de que a pena deve ser cumprida a partir da decisão de segunda instância. Pinheiro ficou preso por cerca de seis meses.

DELAÇÃO DA ODEBRECHT
A decisão da Odebrecht de fazer um acordo de delação acrescentou uma preocupação a mais para Pinheiro. Os procuradores da Lava Jato em Curitiba e Brasília adotaram uma estratégia para buscar extrair o máximo de informação da Odebrecht e OAS: dizem que só vão fechar acordo com uma das empresas. Segundo procuradores, a Odebrecht está à frente, neste momento.

Nem a OAS nem o Instituto Lula se pronunciaram sobre o assunto.

Para ler a matéria completa de Bela Megale e Mario Cesar Carvalho na Folha, clique aqui.

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