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Quatro dos maiores projetos científicos do Brasil que estão parados

rEPRODUÇÃO/BBC bRASIL

Após sucessivos cortes do orçamento nos últimos anos, a situação de alguns dos maiores projetos científicos do Brasil ficou crítica. Um supercomputador que custou dezenas de milhões de reais é mantido em “stand-by”; remédios mais eficientes contra o câncer não podem ser testados e bases de pesquisa em áreas remotas da Amazônia foram fechadas, por exemplo. As informações são da BBC Brasil.

O motivo? Diminuição do orçamento. A área de Ciência, Tecnologia e Inovação, hoje, divide um ministério com o setor de Comunicações. O orçamento caiu de R$ 9,4 bilhões, em 2013, para cerca de R$ 3,5 bilhões, neste ano. Esses cortes causam preocupação na comunidade científica. Entre as reclamações mais frequentes está a falta de dinheiro para cobrir custos básicos de manutenção, como salário de funcionários e bolsistas, contas de energia e insumos para pesquisas.

Os 126 Institutos de Ciência e Tecnologia (INCTs) do Brasil e cerca de 29 entidades científicas veiculadas ao ministério são mantidos, em parte, com bolsas ou fundos de pesquisa para projetos específicos dentro deles. Porém, a diminuição da parte que vem do governo, que varia em cada instituto e é essencial para a manutenção de alguns deles, prejudica até mesmo a estrutura básica para a manutenção dos projetos. Na semana passada, representantes das principais instituições da área se reuniram com o ministro Gilberto Kassab para pedir que seu financiamento volte ao valor de 2013.

Enquanto essa verba não sai, projetos importantes estão parados ou impedidos de avançar em meio à crise e à mudança de governo. Conheça quatro deles:

1) NANOTECNOLOGIA CONTRA O CÂNCER

Pesquisadores testam terapia fotodinâmica para tratar câncer de pele. Foto: Divulgação

Em Brasília, uma rede de 50 pesquisadores do INCT – Nanotecnologia, tenta criar medicamentos mais eficientes contra o câncer, que causem menos efeitos colaterais. E tem conseguido bons resultados. As pesquisas também envolvem a criação de um nanomaterial que, uma vez dentro do corpo humano, só libera o princípio ativo de medicamento em regiões com o PH ácido – justamente onde se encontra o tumor. Isso faz com que a ação do medicamento seja mais direcionada e destrua menos células saudáveis, um problema comum na quimioterapia.

Porém, o projeto tem sido impedido de avançar por causa da escassez de recursos. Em 2009, o INCT recebeu R$ 10 milhões para cobrir todos os seus custos por cinco anos – já se passaram sete. Isso efetivamente estaciona os projetos, que ainda não foram interrompemos, mas também não apresentam evolução.

2) SUPERCOMPUTADOR EM “STAND-BY”

Santos Dumont pode fazer um quatrilhão de operações matemáticas por segundo. Foto: Divulgação

Há pelo menos seis meses, desde sua instalação, há um ano, o supercomputador Santos Dumont do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), em Petrópolis (RJ), está parado por falta de dinheiro para pagar seu consumo de energia elétrica, de R$ 500 mil por mês. Comprado da França por R$ 60 milhões em uma iniciativa do governo federal, o supercomputador é o mais potente da América Latina, capaz de fazer um quatrilhão de operações matemáticas por segundo.

Mais de 70 projetos de pesquisa de diversas áreas aguardam que a máquina esteja disponível para uso. Entre eles, uma proposta de analisar a estrutura do vírus Zika para facilitar a busca de uma vacina. Outro projeto quer criar novos medicamentos para o mal de Alzheimer. E há ainda os permitem criar estruturas de engenharia cruciais para a indústria, como reservatórios de petróleo.

3) ANIMAIS DA AMAZÔNIA EM RISCO

Pesca da piracatinga causa matança de dezenas de botos e jacarés. Foto: Instituto Mamirauá

O Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá teve que interromper, nos últimos meses, cerca de 65% dos projetos de inovação e conservação ambiental que desenvolvia em uma área de 3 mil hectares no Amazonas com comunidades remotas onde a assistência demora a chegar. Entre eles, estão experimentos com iscas alternativas para pescadores de piracatinga (peixe amazônico que se alimenta de animais em decomposição), que matam botos e jacarés para usá-los como isca na pesca.

Por esse motivo, a captura e comercialização do peixe foi proibida até 2020, sob protesto dos pescadores, que reclamam da falta de opção e do risco de desemprego. A pesca continua acontecendo de forma ilegal e o Mamirauá buscava uma solução para o impasse. Outro projeto interrompido era uma espécie de censo das comunidades da região, essencial para que elas saibam o quanto produzem por ano e possam negociar a venda de seus produtos nas cidades maiores.

A partir do segundo semestre de 2015, o Mamirauá perdeu cerca de 60% de sua arrecadação, quase o total do que vinha do ministério. Desde então, demitiu 42% dos funcionários e bolsistas e fechou a maior parte de suas bases de campo – casas simples utilizadas como alojamento dos pesquisadores em comunidades remotas. Os únicos projetos que permanecem em atividade são os que têm outras fontes de financiamento. Salários foram reduzidos e na sede do instituto, em Tefé, só se trabalha meio período para economizar custos.

4) NAVIO NO ESTALEIRO

Navio promete novos horizontes de pesquisa oceanográfica para o Brasil. Foto: Divulgação

O mais moderno navio de pesquisa que o Brasil já possuiu, com 28 equipamentos de alta precisão para explorar o mar costeiro – incluindo um robô submarino que pode mergulhar até 4 mil metros de profundidade. Em sua viagem inaugural ao Brasil desde a Cidade do Cabo, na África do Sul, o Navio Hidroceanográfico de Pesquisa Vital de Oliveira transportou um grupo de cientistas brasileiros que testaram seus equipamentos de coletas de dados. Desde então, não foi mais utilizado em pesquisas. Durante seu primeiro ano em águas brasileiras, o navio, construído em Cingapura, teve seus equipamentos testados e calibrados à exaustão pela Marinha, que o administrará até o final de 2016.

O Vital de Oliveira foi comprado por R$ 162 milhões através de uma parceria entre os então ministérios da Defesa e da Ciência, Tecnologia e Inovação, com as empresas Vale e Petrobras. De acordo com o atual Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, um acordo entre todas as partes para criar um comitê gestor do navio está em fase final, e desse grupo devem sair os cerca de R$ 32 milhões anuais necessários para custear as atividades.

Para ler a matéria completa da BBC Brasil, clique aqui.

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