Opinião

A política brasileira é genial na arte de mudar tudo para não mudar nada

Reprodução/EBC

Reclamem à vontade, mas Rodrigo Maia é o presidente perfeito para terminar o mandato de Eduardo Cunha na Câmara. Não que ele seja um político perfeito, longe disso. Mas ele é um deputado clássico. Um clássico caso de perpetuação de oligarquias no poder.

Rodrigo Maia é uma das aberrações que a política carioca produziu, um oportunista meritocrata, que tem uma carreira fruto de sua linhagem sanguínea. Seu primeiro cargo político foi um secretariado na gestão de Luis Paulo Conde, prefeito afilhado de seu pai.

Até existe casos de filhos preparados para suceder seus pais, assumindo cargos de responsabilidade, mas para o infortúnio de César, Maia não é um desses casos. Ou não era, até essa madrugada.

Quem diria que o jovem que deixou a universidade e não tinha qualificação para ser secretário de coisa alguma, faria careira na política? Depois de cinco mandatos, chegou agora no segundo cargo mais importante do Brasil, como uma espécie de relator do acordão que salvou o mandato de seu antecessor.

No meio desse imparável progresso do regresso, não espanta que que o DEM, que estava quase morto, retorne assim, por cima da carne seca. Quem diria que o antigo PFL de Antônio Carlos Magalhães voltaria a ser importante no cenário nacional…

Contudo, nesse Brasil onde o avanço causa espanto, Rodrigo Maia e o DEM no poder fazem muito sentido. É a prova irrefutável de que a política brasileira é genial na arte de mudar tudo para não mudar nada.

Comentários


To Top