Política

Dilma fala por 14 horas, diz que é vítima de golpe, culpa Cunha, cita Chico e termina rouca

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Foi encerrada às 23h45 desta segunda-feira (29), após 14 horas de discursos, perguntas de senadores e respostas da presidente afastada, a sessão de questionamento do Senado, parte do julgamento do impeachment. Dilma Rousseff voltou a negar que tenha cometido crime de responsabilidade e afirmou que se for afastada o parlamento estará dando “um golpe”. Ela também culpou o deputado Eduardo Cunha pelo impeachment, chamando-o de líder do processo e atribuiu ao presidente interino, Michel Temer, o papel de “coadjuvante”.

A petista reiterou ainda o seu apoio à realização de um plebiscito para a escolha de um novo presidente, ideia que é rejeitada inclusive pelos líderes do seu partido, o PT. Ao longo do dia, Dilma respondeu aos questionamentos, entre eles de Aécio Neves (PSDB-MG), derrotado por Dilma nas eleições de 2014. Ao ressaltar a vitória nas urnas e o questionamento do resultado por parte do PSDB, Rousseff afirmou que respeita os votos obtidos pelo tucano, mas que não ceita eleição indireta.

O ministro Ricardo Lewandowski, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), presidiu a sessão, iniciada às 9h50. Os trabalhos continuam nesta terça-feira (30) e devem entrar pela madrugada da quarta-feira até o momento final, a votação, na qual Dilma precisa de 28 dos 81 votos para escapar do impeachment.

Os defensores do afastamento acreditam que Dilma terá no máximo 20 votos favoráveis. A primeira a se manifestar na sessão do Senado, que julga o processo de impeachment, foi a senadora e ex-ministra de Dilma Kátia Abreu (PMDB-TO). Ela não questionou a presidente, dedicando o tempo a elogiar seu governo e sua contribuição ao agronegócio.

Dilma discursou por 47 minutos, antes dos questionamentos, sendo aplaudida após a fala, o que levou o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, a suspender brevemente a sessão. Antes da manifestação de Dilma, Lewandowski fez a leitura das regras do julgamento e afirmou que qualquer manifestação do plenário, como vaias ou aplausos, implicarão a suspensão da sessão. Ele afirmou que Dilma não é obrigada a responder as perguntas que os senadores formularem e reforçou que não caberá réplica aos senadores, mas que os citados de forma “injuriosa” terão direito de resposta.

Durante o interrogatório no processo de impeachment, versos das músicas “Apesar de você” e “Vai passar”, do cantor e compositor Chico Buarque, que estava presente na galeria, foram citados pela petista. Ele foi ao Senado como um dos convidados de Dilma. Por conta do barulho, a presidente afastada teve que subir o tom de voz e terminou rouca, após falar durante horas, com apenas alguns curtos intervalos.

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