Política

Bancada evangélica na CMBH fica mais forte com a eleição de seis novos vereadores com ideologia conservadora

A representação evangélica na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) vai ganhar força a partir de 2017. Serão empossados, na abertura do ano legislativo, em 1° de fevereiro, seis novos vereadores ligados a igrejas e pastorais do segmento religioso. As adesões representam um reforço à chamada bancada evangélica da câmara, segundo o vereador Pastor Henrique Braga (PSDB). Para um dos principais opositores ao grupo, vereador Pedro Patrus (PT), o crescimento da ala conservadora representará um desafio na aprovação de pautas progressistas.

De 11 representantes, o grupo passará a contar com 14 religiosos no Legislativo municipal. A mais recente polêmica, que colocou a bancada evangélica à frente do debate, ocorreu em abril deste ano, quando os vereadores rejeitaram a criação do Dia da Parada do Orgulho LGBT em Belo Horizonte.

Entre os reforços da ala conservadora estão os vereadores Fernando Borja (PTdoB), pastor da Igreja Lagoinha; Jair Di Gregório (PP), membro da Assembleia de Deus; Irlan Melo (PR), pastor-auxiliar da Igreja Presbiteriana Pentecostal; Catatau da Itatiaia (PSDC); Carlos Henrique (PMN); e a vereadora Marilda Portela (PRB).

Os debutantes do Legislativo passarão a compor o grupo representado por veteranos da bancada evangélica na Câmara Municipal. Foram reeleitos os vereadores Pastor Henrique Braga (PSDB), Bispo Fernando Luiz (PSB), Autair Gomes (PSC), Elvis Côrtes (PSD), Juliano Lopes (PTC), Jorge Santos (PRB) e Reinaldo Preto Sacolão (PMDB).  

Na outra ponta, contudo, os defensores da agenda modernizadora no Legislativo municipal poderão contar com novo fôlego. As vereadoras eleitas Áurea Carolina e Cida Falabella, do PSOL, prometem fazer frente a pautas conservadoras nesta próxima legislatura e ingressar ao grupo de vereadores progressistas, representados pelo PT e PCdoB.

Conciliação

Um dos mais antigos representantes da bancada evangélica na CMBH, vereador Pastor Henrique Braga (PSDB), afirma que vai buscar estabelecer entendimentos com o grupo de parlamentares opositores. Ele garante, no entanto, que os chamados “princípios da bancada evangélica” não sofrerão prejuízos.

“Ainda tem que haver muita conversa em nosso grupo, mas nosso objetivo é mantermos unidos. Cada um deve defender seu segmento, mas no que se trata dos nossos princípios seremos coesos”, diz. “Acho que dentro do possível vamos buscar uma combinação, não só com a bancada evangélica. É possível uma conciliação”.

Nesse mesmo sentido, a novata Áurea Carolina (PSOL) preferiu amenizar o embate ideológico na câmara e afirma apostar no consenso entre as diferentes bancadas. “Pode haver evangélicos progressistas e há cristãos e cristãs progressistas em todas as denominações religiosas. Essas pessoas são aliadas das lutas sociais”, atenua.

Preocupação

O crescimento da ala conservadora na CMBH preocupa o vereador Pedro Patrus (PT). Ele avalia como “animador” o ingresso de parlamentares que têm ideologias renovadoras, mas, ao mesmo tempo, vaticina um cenário de debates acirrados no Legislativo a partir do próximo ano.

“Nosso mandato vai continuar na linha de defender a diversidade, vários tipos de família, não vamos abrir mão disso. Por isso mesmo, esse aumento da bancada evangélica é sinal de que teremos mais trabalho”, avalia. “Por outro lado, fico animado com a nova conjuntura de esquerda aqui dentro da câmara, formando um bloco ideológico e de aproximação de pensamento”.

Ânimos acirrados

Após a polêmica envolvendo a proposta que instituía o Dia da Parada do Orgulho LGBT na capital, um novo projeto promete intensificar o ânimos entre os parlamentares das bancadas conservadora e progressista na câmara.

Segundo o autor da proposta, vereador Pedro Patrus, está pronto para votação o Projeto de Lei 1.199/14, que determina a inclusão, por parte dos órgãos públicos de Belo Horizonte, do nome social de transgêneros nos registros públicos municipais.

No entanto, Patrus informou que ainda avalia o melhor momento para que o projeto seja colocado em pauta. “Estamos em diálogo com o próprio movimento LGBT de Belo Horizonte para chegarmos à conclusão sobre qual seria o melhor cenário para votarmos esse projeto”.

 

 

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